A movimentação de bovinos entre estados exige atenção redobrada dos pecuaristas de Mato Grosso do Sul. Uma regra da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) determina a aplicação automática de quarentena de 90 dias em propriedades que recebem animais de regiões não habilitadas para exportação à União Europeia.
A medida, prevista na Nota Técnica nº 001/2026 – IAGRO/DDSA, pode impactar diretamente a comercialização de lotes, já que durante o período de isolamento os animais ficam impedidos de seguir para abate destinado a mercados específicos.
O alerta ganhou destaque após o caso do produtor rural Jaime Fiorita, da Fazenda Nossa Senhora de Lourdes, em Santa Rita do Pardo (MS). Em maio de 2026, após adquirir um animal da raça Nelore em um leilão, a propriedade entrou automaticamente em noventena determinada pela Iagro, com previsão de encerramento em 24 de agosto de 2026.
Segundo o pecuarista, a medida afetou a programação comercial da fazenda, que possuía lotes de fêmeas adultas e animais desmamados prontos para negociação.
Como funciona a regra
De acordo com a orientação técnica da Iagro, propriedades habilitadas para exportação precisam manter os bovinos destinados a determinados mercados em áreas autorizadas pelo período mínimo de 90 dias antes do abate.
Mato Grosso do Sul integra a área reconhecida para exportação à União Europeia e outros mercados internacionais, juntamente com estados como Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Quando um animal é adquirido de um estado fora dessa área habilitada, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) pode gerar automaticamente o registro da quarentena no sistema sanitário estadual.
Atenção em leilões e compras interestaduais
A regra também exige cuidado em operações realizadas por meio de leilões e eventos de comercialização de gado. A entrada de animais com origem restrita pode afetar compradores que receberam lotes no mesmo evento, caso sejam enquadrados nos critérios da fiscalização sanitária.
Além disso, propriedades com áreas compartilhadas, arrendamentos ou diferentes cadastros produtivos podem ter todas as movimentações impactadas pela restrição.
O caso de Jaime Fiorita reforça a importância da consulta prévia junto à Iagro antes da compra de animais provenientes de outros estados. A verificação da origem do gado e da situação sanitária do lote pode evitar bloqueios inesperados e prejuízos no planejamento comercial da fazenda.
A recomendação aos produtores é manter atenção às regras de trânsito animal e aos critérios de habilitação para exportação, garantindo segurança sanitária e continuidade das operações.
fonte: Agro In Comunicação